"A sintonia é provavelmente o ingrediente mais crucial para um bom podcast": entrevista com Jacob Salamon

Para celebrar o lançamento do RØDECaster Pro Podcast Production Studio e do PodMic no final de 2018, decidimos começar 2019 em grande estilo, lançando a edição inaugural do My RØDE Cast, o nosso novo concurso de podcasting!

Um dos WISECRACK. Um coletivo de podcasters, cineastas, comediantes e acadêmicos, a WISECRACK produz uma série de podcasts e vídeos extremamente populares, que alcançam cerca de 50 milhões de pessoas todos os meses, com um total de mais de 400 milhões de visualizações desde a sua criação, em 2014 — é evidente que estão fazendo algo certo.

Conversamos com Jacob sobre sua carreira como empreendedor pioneiro na área de mídia, como produzir um podcast vencedor e para onde ele acredita que o formato está caminhando.   

Olá, Jacob! Conte-nos um pouco sobre a WISECRACK!

Comecei a WISECRACK com meu grande amigo e colega de faculdade, Jared Bauer. Para nós dois, nosso espírito e nossa conexão com a marca mudam toda semana. Mas, acima de tudo, estamos muito empolgados em promover o pensamento crítico entre nossos fãs, especialmente por meio das coisas que eles já adoram — como filmes, séries de TV, videogames, livros, quadrinhos, música, cultura pop e muito mais. Nós definitivamente não queremos dizer às pessoas o que pensar, mas sim como pensar. Assim, podemos explorar temas fascinantes e abordar algumas das questões mais profundas da vida, sempre recorrendo a lições da literatura, filosofia, psicologia, história e muito mais.

Ao longo da sua carreira, você esteve envolvido com muitos meios e formatos criativos diferentes. O que o atraiu para o formato de podcast?

Esse é um ótimo ponto. Na verdade, comecei no marketing de software antes da WISECRACK e, antes disso, experimentei design gráfico, comércio eletrônico e até uma breve carreira como mágico! Mas, voltando à WISECRACK: Jared e eu queríamos muito fazer filmes. Éramos apaixonados pelo processo colaborativo de criar histórias e personagens e dar-lhes vida em vídeo com uma equipe talentosa. E certamente havia uma sensação especial em criar algo novo, por isso, nos primeiros anos, criamos o máximo possível de programas e formatos. 

Nos primeiros um ou dois anos trabalhando juntos, criamos Bubala Please, Thug Notes, 8-Bit Philosophy, Pop Psych!, Boss Bitches of History, Earthling Cinema, e outros. Depois que obtivemos sucesso com alguns desses primeiros formatos, percebemos que era mais importante desenvolver os programas que já tinham público e fãs do que continuar criando novos formatos. Então passamos os anos seguintes transformando nossos programas populares de 3 ou 4 episódios em séries com 30 ou 40 episódios cada — e, no caso de Thug Notes, mais de 100! 

Começamos a produzir podcasts pela primeira vez quando adaptamos Thug Notes para uma série de áudio com o lançamento de Thug Notes: GET LIT. Foi um projeto divertido no geral, mas também um processo exaustivo: muita pesquisa, redação, direção, produção, edição e design de som. Já estávamos familiarizados com tudo isso no lado do vídeo, mas o áudio não era um meio com o qual nos sentíssemos particularmente à vontade. Sem mencionar que Jared praticamente nunca tinha ouvido um podcast até então! 

A WISECRACK realmente encontrou seu ritmo no podcasting com o lançamento do nosso podcast sobre Rick and Morty, The Squanch. Nosso editor sênior em Nova York, Alec Opperman, vinha me incentivando havia meses a lançar mais podcasts. Quando a terceira temporada de Rick and Morty estreou, tivemos a oportunidade perfeita para analisar cada novo episódio da série assim que fosse lançado. Eu estava com muita vontade de criar algo novo, então aproveitei a oportunidade de produzir o programa — investir no equipamento de que precisávamos, descobrir como colocar convidados remotos, como Alec, no programa, e descobrir como promover um novo podcast do zero. Embora não tivéssemos muita experiência com um podcast de discussão em mesa-redonda, o programa foi um sucesso! Na primeira temporada, alcançou cerca de 150.000 ouvintes. A partir daquele momento, ficamos viciados em podcasting!

Como você mencionou, a equipe da WISECRACK produz vídeos com a mesma intensidade com que produz podcasts. De que maneiras você considera o podcasting superior ao vídeo?

O podcasting permite que as ideias se formem organicamente e no ar, em vez de precisarem estar totalmente desenvolvidas, roteirizadas e refinadas de antemão, como acontece com o vídeo. No início, Jared duvidava que alguém quisesse ouvir nossas conversas ainda incompletas sobre filmes ou séries de TV, mas descobrimos que nosso público adorava essas conversas casuais e imperfeitas. Elas são mais reais e permitem que diferentes perspectivas e opiniões sejam discutidas e debatidas em tempo real. Dado nosso objetivo de promover o pensamento crítico, acredito que nossos fãs podem aprender mais sobre o processo de formar uma opinião ou perspectiva ao ouvir essas ideias se desenvolverem do que assistindo a um vídeo do qual todos os falsos começos e ideias malsucedidas foram editados.

Além disso, algumas das nossas melhores ideias para vídeos agora nascem das conversas longas que temos em nossos podcasts. Podemos ter um ótimo debate e uma discussão interessante no podcast, que acabam nos dando a inspiração ou o ângulo de que precisamos para fazer um excelente vídeo. Não podemos enfatizar o suficiente o valor desse tempo de desenvolvimento — é inestimável!

O envolvimento com podcasts também é extraordinário em comparação com o que vemos no Facebook ou até no YouTube. Por exemplo, nosso ouvinte médio de podcast escuta todos os episódios que lançamos, e a maioria dos assinantes acompanha nossos programas durante horas por mês. Também recebemos semanalmente e-mails e mensagens de voz excelentes e ponderados dos nossos ouvintes.

De modo geral, o podcasting parece ser uma comunidade própria, muito unida e especial. Por todos esses motivos, Jared e eu somos completamente apaixonados por podcasting — só gostaríamos de ter tempo para fazer mais!

Que conselho você daria a quem quer entrar no podcasting ou está apenas começando? 

Os leitores vão achar que estou sendo pago para dizer isso, mas eu diria que é importante começar com o equipamento e o ambiente certos para garantir que o som seja bom. Assim como no vídeo, o som é crucial e muitas vezes é o detalhe mais importante e mais negligenciado. 

Quando o programa é exclusivamente em áudio, ele pode ser bastante implacável. Uma qualidade de áudio ruim — uma voz fina e sem presença, eco excessivo do ambiente e assim por diante — pode arruinar todo o valor de produção. Existem muitas ferramentas excelentes e equipamentos acessíveis que proporcionam um ótimo som sem pesar no bolso. O RØDECaster Pro é realmente impressionante pelo preço e inclui muitos recursos para proporcionar compressão e graves à sua voz, garantindo presença. Eu recomendaria mics dinâmicos para transmissão, como o Procaster ou o NT-USB. Também consideraria processamento adicional — como compressão e um pouco de EQ — no seu fluxo de trabalho. Há muitos recursos e tutoriais excelentes disponíveis online sobre esse tipo de assunto.

Mas, antes de se aprofundar demais no universo dos equipamentos (que, admito, é minha parte favorita!), certifique-se de ter uma ideia sólida sobre o tema do seu podcast. Tenha uma perspectiva e um ponto de vista, e dedique algum tempo à seleção do elenco do programa. Quem serão os personagens e apresentadores? Se você tem vários amigos ou pessoas em mente, grave alguns testes e veja como funciona. Preste atenção especial à química entre eles. Descobri que a sintonia é provavelmente o ingrediente mais crucial para um bom podcast.

E, por fim, provavelmente estou falando também em nome de Jared, mas eu diria para garantir que você tenha um ótimo roteiro estruturado antes de começar a gravação do podcast. Faça sua lição de casa e pesquise, prepare boas anotações e tenha uma estrutura clara de como deseja que o programa se desenvolva, para poder conduzir a conversa com seus coapresentadores e facilitar o acompanhamento por parte dos ouvintes.

Vocês já produziram seis podcasts. De onde vêm as ideias para novos programas?

A maioria das nossas ideias para podcasts surgiu como programas complementares às nossas séries favoritas — Rick and Morty, South Park, Westworld. Também lançamos um podcast sobre filmes (Show Me The Meaning!) para podermos mergulhar nos nossos filmes favoritos e ter um programa que não dependesse da sazonalidade da TV.

Também criamos protótipos de programas e novos formatos o tempo todo. Jared criou um protótipo com alguns dos nossos colaboradores na semana passada e, desse experimento, surgiu uma nova ideia que deixou Jared e eu muito empolgados. Talvez a lancemos em breve!

Na sua opinião, qual é a fórmula vencedora para um podcast?

Depende do tipo de podcast, mas acredito que, no fim das contas, a química entre os apresentadores, um ótimo som, uma estrutura sólida, o envolvimento dos fãs (se possível) e conversas interessantes sejam os elementos mais cruciais. Nos últimos 3 ou 4 meses, Jared teve a ideia de abrir uma linha de mensagens de voz (usamos o Google Voice) para nossos fãs, e acho que isso fez toda a diferença para nossos programas. É muito divertido ouvir as vozes e opiniões dos nossos fãs no ar, em vez de simplesmente ler seus e-mails. Pequenos detalhes como esses tornam um programa muito divertido de acompanhar.

Para podcasts focados em contar histórias, em vez de conversas em mesa-redonda, a capacidade de contar boas histórias é, naturalmente, fundamental. Recentemente, ajudei alguns amigos com um podcast que estão produzindo. Acho que o impulso inicial era simplesmente gravar algumas conversas, juntá-las na linha do tempo e dar o trabalho por encerrado. Incentivei-os a pensar na história. Como poderiam organizar exatamente os mesmos elementos de uma maneira intrigante e mais envolvente? Independentemente do tipo de podcast, ainda é show business. Nosso trabalho é apresentar um bom programa.

Para onde você acha que o podcasting estará caminhando nos próximos cinco anos?

Acho fascinante a notícia recente de que a Gimlet foi adquirida pelo Spotify por um valor estimado em 200 milhões de dólares, sem mencionar a declaração do Spotify de que planeja gastar mais 400 a 500 milhões de dólares em novas aquisições. Acho que isso é bastante revelador. Pelo que consigo entender, o Spotify está se comprometendo a fazer pelo áudio premium o que a Netflix fez pelo vídeo. É provável que o Spotify queira reunir uma biblioteca de conteúdo de áudio espetacular para se tornar o destino principal dos podcasts, muitos dos quais provavelmente se tornarão exclusivos do Spotify. 

Além disso, tenho ouvido cada vez mais sobre empresas e startups de conteúdo focadas em áudio no mercado. Empreendedores e investidores estão otimistas quanto à oportunidade, portanto, é provável que os negócios baseados em podcasts passem por um grande crescimento nos próximos cinco anos. 

O tempo dirá como o áudio se sairá em comparação com o vídeo na disputa pela atenção das pessoas. Mas há alguns fatores no espaço do podcasting que me empolgam — principalmente o fato de ainda não existir uma única plataforma ou algoritmo controlando a distribuição ou a monetização do conteúdo. Em contrapartida, no mundo do vídeo online, o YouTube domina completamente, e os criadores acabam ficando sujeitos ao seu algoritmo. Isso não significa que a tecnologia de distribuição (RSS) e os grandes players, como Apple e Spotify, sejam perfeitos, mas ainda há muito espaço para o mercado ser criado e desenvolvido. Estou empolgado para ver onde isso vai chegar!

Então, o que está sendo preparado atualmente na WISECRACK?

Estamos sempre ocupados desenvolvendo novas ideias. Agora estamos trabalhando em um novo podcast (que mencionei acima) e acelerando nosso formato mais recente, Deep or Dumb? Também estamos experimentando um novo formato de programa chamado Shut Up and Watch _____, no qual apresentamos aos fãs filmes dos quais provavelmente nunca ouviram falar, mas que certamente achariam fascinantes. Torçam por nós!

E, por fim, estamos trabalhando na criação dos Wisecrack Courses, nos quais produzimos cursos incríveis para ensinar redação, produção de filmes para o YouTube, desenvolvimento de ideias e muito mais. Estamos muito empolgados para levar esse projeto ao mundo. Em breve deveremos ter mais informações.

As inscrições para o My RØDE Cast estão abertas e encerram ao meio-dia (AEST) de 12 de março de 2019. Saiba mais sobre o concurso e a WISECRACK nos links abaixo:

https://rode.com/myrodecast

https://www.wisecrack.co

https://www.youtube.com/channel/UC6-ymYjG0SU0jUWnWh9ZzEQ